A MINHA LIBERDADE ESTÁ CONTIDA NAS PALAVRAS (...) ESCREVER É A FORMA QUE EU ENCONTREI DE ME LIBERTAR DO MUNDO.

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Gosto de abraços. Sempre gostei. Principalmente daqueles bem apertados, que nos envolvem, e que nos tocam tão profundamente a ponto de termos a ligeira impressão de que vão atravessar a nossa alma. 

Marcelino Gomes 
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Uma verdade sobre mim: eu amo escrever. Tem dias em que a vida anda tão saturada de acontecimentos, de emoções, de pessoas … que se torna difícil acomodar tanta informação. Sendo assim, eu não me sobrecarrego: se me pesa a alma, eu me deixo esvaziar por meio das palavras. Escrevo porque o ato de escrever me alivia. Escrevo porque andei acumulando sentimentos o dia inteiro e preciso me descarregar. Escrevo por necessidade: escrever, pra mim, é tão importante quanto respirar. Escrevo porque não me permito passar em branco. Escrevo porque sei que a eternidade é agora. Escrevo porque há muita coisa a se contar. Escrevo para passar o tempo. Escrevo para o tempo não me passar. 

Marcelino Gomes
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Eu matei a Gisberta. Você também a matou. Você se lembra da Gisberta? Não?! Calma, eu te faço lembrar. A Gisberta era uma mulher alta, de pele clara, com longos cabelos negros e olhos castanhos (…) uma mulher dócil, muito cuidada e que exaltava feminilidade. Gisberta era um sonho, um desejo, uma essência (…) e queria ser feliz, como qualquer outra pessoa. O que muitos não sabem é que Gisberta era um transexual que vivia de fazer shows em bares, à noite, e que, infelizmente, hoje está morta. Tiraram a vida da Gisberta aos poucos. Socaram o seu rosto até sangrar e ficar deformado. A espancaram até a morte: com paus, pedras, socos e xingamentos (…) sim, com xingamentos, porque xingar também fere. Quem matou a Gisberta? Eu. Eu matei a Gisberta. E você também a matou. Matou, quando zombou do seu coleguinha da quarta série por ser diferente. Matou, quando olhou torto para um homossexual que passava ao seu lado. Matou, quando se espantou ao ver duas mulheres de mãos dadas. Matou, quando foi contra ao casamento gay. Matou, quando disse que era pecado duas pessoas do mesmo sexo se relacionarem. Matou, quando foi contra a adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Matou, quando propôs que fossem criados banheiros e locais reservados para homossexuais. Matou, quando xingou de “sapatão” ou “viado” uma pessoa diferente de você. Matou, quando não aceitou a orientação sexual do seu filho. Matou, quando expulsou de casa esse tal filho. Matou, quando desrespeitou um travesti na rua. Matou, quando feriu os direitos humanos. Matou, quando foi homofóbico. Matou, quando foi preconceituoso. Nós matamos a Gisberta e sei que muitas outras Gisbertas ainda serão mortas; porque nós somos assassinos em série. Nós matamos milhares de Gisbertas todos os dias com o nosso preconceito. 

Marcelino Gomes, sobre Gilberto Salce Júnior, mais conhecido como Gisberta, um transexual que foi brutalmente assassinado em Portugal, em 22 de Fevereiro de 2006, vítima de um dos mais terríveis males da humanidade: o preconceito. 
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